
Desde a decolagem em Toulouse, o PBY Catalina voou 43 horas e 50 minutos, sobre 9.000km, a uma velocidade média de 200km por hora. No Brasil, ele se apronta para sofrer, após dois dias, uma revisão mecânica geral, prevista após 50 horas de vôo.
A uma velocidade muito pequena, o "Pincesse des Étoiles" vira sobre o Cristo Redentor, que estende seus braços imensos sobre a floresta da Tijuca. Um T6 da FAB vem juntar-se ao hidroavião no céu da Cidade Maravilhosa. Asa contra asa, o antigo aparelho de treinamento, que data da 2° Guerra Mundial, abre caminho através do labirinto do relevo recortado. O Coronel Braga, 73 anos, figura lendária no Brasil, empunha os comandos. O fundador da Esquadrilha da Fumaça vem render homenagem á tripulação, depois de transpor o Pão de Açúcar, ele lança um brado; "Vive la France!", no rádio de bordo.
Além da enseada do botafogo, os dois aviões continuam, em sua formação, a voar até a orla de espumas de Copacabana. Depois, eles ultrapassam a confusão de favelas e arranha-céus. Finalmente eles atingem o aeroporto militar do Campo dos Afonsos, atrás da cornija: o Catalaina desliza agora pelos hangares que abrigaram um dia os aviões da Aeropostale e se imobiliza, exatamente diante dos dignatários militares impecavelmente alinhados. Baudry desce da carlinga.
Braga, vestido com elegante uniforme de piloto de caça, o aguarda ao pé da passarela, em posição de sentido.
Rio de Janeiro, Quarta-Feira, 21 de Outubro.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
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Um Lendário Vôo (França - Brasil)
domingo, 29 de março de 2009
A "Princesse des Étoiles"
Construído pela Consolidated, em 1941, o PBY-5 A "Canso", número de série 21996, percorreu um longo caminho antes de se tornar a "Princesa das Estrelas". Durante a 2° guerra combateu e afundou submarinos na Noruega. Após o término do conflito, seguiu para o Canadá, onde se tornou um avião civil e foi usado como avião transporte, sendo, posteriormente, convertido para combater incêndios florestais. Em 1995, o aparelho foi finalmente adquirido pelo seu atual proprietário, Franklin Devaux. Á partir de então, tem sido empregado em diversos projetos científicos,como a Operação Okavango, exibida pela TV Francesa e no Brasil, pelos canais Discovery e Globo Repórter. Sua aparência - meio avião, meio barco - o torna semelhante ao "La Croix du Sud", o Laté 300 com o qual Mermoz e sua tripulação desapareceram no Atlântico, numa manhã de Dezembro de 1936.
A viagem se inicia no aeroporto de Montaudran, em Toulouse, no sul da França, onde antigamente se localizava a base de operações da Aerospatale e hoje se encontra a linha de montagem da Airbus.
Na cabine, os 2.400 cavalos fazem vibrar os instrumentos de bordo. O número 14 fará parte constante deste início. São 14 horas, do dia 14 de outubro. Patrick Baudry decola de Montaudran com as 14 toneladas da "Princesse des Étoiles" e chama a frequência da torre: "Charlie/Fox/Roméo/Roméo ao controle Montaudran, deixando a frequência, e segue para o Cabo Sul, Málaga, até logo!"

Em Málaga,encontram um céu limpo e um vento de proa de 10 nós. Pequenas nuvens tranquilas flutuam sobre a baía andaluza. Uma grande curva sobre as águas do porto ligeiramente encrespadas. Com sua asa vergada em direção ao espelho das ondas, a sombra do Catalaina descreve uma esteira perfeita sob a luz infinita. Ao sul, em direção ao rochedo de Gibraltar, ao longo das serras espanholas. "Isto já é a África", observa um dos piloto, debruçado sobre a vigia entreaberta.
O velho avião atravessa o céu da Espanha. Ao descer pelas muralhas do Atlântico, percebem-se ao longe, as manchas minúsculas que formam o povoado costeiro de Safi e da Antiga Mazagan.
Os pilotos decidem passar a uma altitude muito baixa ao se aproximar do litoral africano. Pouco depois de Massira, o terreno de Agadir parece afogado em um halo de umidade. Sobre o terraço do aérogare , um comitê de personalidades marroquinas aplaudia a chegada do avião.
No meio da noite, a tripulação se reúne sob as asas do Catalina, único avião sobre o imenso piso vazio de Agadir. Por razões técnicas, o vôo noturno foi cancelado. Reunião na crise e conflito entre os pilotos e os mecânicos. Patrick Baudry fica com raiva. Ele quer, custe o que custar, respeitar o horário previsto. Como manda a tradição, "O correio tem que chegar"...
Continua!
Postado por Hotsea às 15:33 0 comentários
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